Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, declarou neste sábado (23) que, ou um “bom acordo” é alcançado com o Irã, ou ele os “mandará para o inferno”. A ameaça surge em Washington, em meio a negociações de paz que, segundo ele, estão “muito perto” de um desfecho.
A fala intensifica a pressão sobre um possível acordo que incluiria a reabertura do Estreito de Ormuz.
A declaração foi feita em uma entrevista por telefone à CBS News, onde Trump afirmou que discutiria a versão mais recente da proposta com seus assessores. Ele tem oscilado entre a diplomacia e as ameaças de novos ataques desde que um cessar-fogo foi declarado há seis semanas.
Em suas redes sociais, na plataforma Truth Social, Trump chegou a publicar imagens do Irã “coberto” pela bandeira americana, expressando interesse em dominar os territórios.
Detalhes do Acordo Proposto
Os Estados Unidos e o Irã estão próximos de assinar um acordo que prevê uma extensão de cessar-fogo de 60 dias, conforme noticiado pela Axios. Durante esse período, o Estreito de Ormuz seria reaberto, permitindo que o Irã vendesse petróleo livremente.
As negociações também visam limitar o programa nuclear iraniano.
A proposta inclui a remoção de minas instaladas pelo Irã na região para garantir a livre passagem de navios. Em contrapartida, os EUA suspenderiam o bloqueio aos portos iranianos e concederiam isenções de sanções para facilitar a venda de petróleo.
A agência Fars, por sua vez, informou que o Estreito de Ormuz permaneceria sob administração do Irã.
Contradições e Pressões Externas
Apesar do otimismo de Trump, há sinais conflitantes sobre o andamento das negociações.
Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, declarou que seu país estava na “fase de conclusão” de um protocolo de acordo com os EUA para pôr fim à guerra no Oriente Médio. Contudo, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou tal conclusão.
Em outro movimento diplomático, o chanceler do Japão, Motegi Toshimitsu, conversou com o chanceler do Irã, Abbas Araghchi.
Motegi manifestou esperança de que Teerã continue mostrando “flexibilidade máxima” e retome as negociações com os Estados Unidos, sublinhando a importância da estabilidade regional.
Por que isso importa? A retórica agressiva de Donald Trump, mesmo em meio a negociações de paz, mantém a tensão elevada no cenário geopolítico. O Estreito de Ormuz é uma rota marítima vital para o transporte global de petróleo, e qualquer instabilidade na região tem implicações diretas para a economia mundial e a segurança energética. A incerteza sobre a conclusão de um acordo e as declarações contraditórias de autoridades de ambos os lados sinalizam um futuro imprevisível para as relações entre EUA e Irã.