O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia acusou o Equador de “interferência” eleitoral neste sábado (30), às vésperas das eleições presidenciais colombianas, marcadas para domingo, 31 de maio.
A tensão diplomática surgiu após o presidente equatoriano, Daniel Noboa, anunciar a eliminação de um imposto de 100% sobre importações colombianas.
A decisão de Noboa foi divulgada logo após uma conversa com o candidato opositor colombiano Abelardo de la Espriella.
Bogotá repudiou a ação, classificando-a como uma tentativa de influenciar o pleito e de apresentar como um gesto de “boa vontade” de Quito uma medida que, na verdade, já havia sido decidida pela Comunidade Andina (CAN).
Ação de Noboa e a reação colombiana
Daniel Noboa afirmou que, após dialogar com Abelardo de la Espriella, ambos concordaram em colaborar no combate ao narcotráfico e ao crime organizado na fronteira comum.
Em seguida, o presidente equatoriano anunciou a retirada do imposto de 100% sobre as importações colombianas, o que gerou a forte reação do governo do presidente Gustavo Petro.
Para o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia, a medida foi apresentada de forma “enganosa”, como se fosse uma concessão obtida diretamente pelo candidato opositor, e não uma obrigação derivada do bloco regional.
A Colômbia reiterou que também revogará as medidas retaliatórias adotadas contra o Equador, mas criticou a forma e o momento do anúncio.
Histórico da disputa e cenário eleitoral
A discordância entre os dois países não é recente. A disputa começou em fevereiro , quando Noboa acusou a Colômbia de não tomar medidas suficientes para conter o crime organizado na fronteira comum.
Naquela ocasião, o Equador impôs tarifas que chegaram a 100% para ambos os lados, afetando o comércio bilateral.
No cenário eleitoral colombiano, a votação de domingo, 31 de maio, é marcada pela polarização. Os principais concorrentes são o candidato conservador Abelardo de la Espriella e o governista de esquerda Iván Cepeda.
Ambos despontam como favoritos para avançar ao segundo turno, caso nenhum candidato consiga a maioria necessária no primeiro turno.
Por que isso importa? A acusação de interferência eleitoral por parte da Colômbia contra o Equador representa um sério abalo nas relações diplomáticas regionais. A vinculação de uma decisão econômica, como a eliminação de tarifas, a um candidato opositor às vésperas de uma eleição, levanta questões sobre a ética e a soberania dos processos democráticos. O episódio pode criar um precedente perigoso para a estabilidade política na América do Sul, ao transformar acordos comerciais em ferramentas de disputa eleitoral.