O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípoli, afirmou que o cenário de desemprego em baixa, aumento da renda e atividade econômica aquecida continua pressionando a inflação e, consequentemente, os juros no país.
A declaração foi feita nesta terça-feira (19/5) durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
Pressão inflacionária persistente
Segundo Galípoli, mesmo com a taxa básica de juros em patamar considerado restritivo, a economia brasileira segue demonstrando força.
Ele destacou que a resiliência econômica, o baixo índice de desemprego e o crescimento da renda são fatores que mantêm os indicadores pressionados, apesar dos juros elevados.
“As taxas de juros estão num nível bastante restritivo comparando com outros países, mas a gente assiste a uma economia que vem demonstrando resiliência, desemprego baixo, renda crescendo e indicadores bastante pressionados, apesar dos juros elevados”, declarou o presidente do BC.
Juros altos em comparação internacional
Galípoli admitiu que o Brasil mantém, historicamente, taxas de juros mais altas do que a maioria de seus pares internacionais. Atualmente, a taxa Selic está em 14,5% ao ano, o menor valor após uma sequência de altas.
No entanto, ele justificou os índices pelo baixo desemprego e pela economia aquecida.
“Ao analisar as taxas de juros praticadas pelo Brasil ao longo das últimas décadas, comparativamente à maior parte dos seus pares, é fato que o Brasil sustenta taxas de juros sistematicamente, historicamente mais altas do que seus pares”, disse.
Decisões técnicas do BC
O presidente do BC também ressaltou que o principal instrumento utilizado pela autoridade monetária para controlar a inflação é a taxa de juros. Ele afirmou que o regulador toma decisões técnicas e não deve reagir a pressões externas.
“Toda vez que esses indicadores mostram uma demanda pressionando a oferta colocando a inflação mais distante da meta, a resposta demandada do BC é colocar o juros num patamar mais restritivo”, acrescentou.
Caso Master e servidores afastados
Durante a audiência, Galípoli também foi questionado sobre o caso do Banco Master e o afastamento de dois servidores do BC por envolvimento na investigação.
Ele classificou o ocorrido como “gravíssimo”, mas minimizou o risco sistêmico do banco, que considerou ser de “terceira divisão” no sistema financeiro.
Galípoli defendeu que o problema não era o passivo do banco, mas sim o que se fazia com os recursos garantidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Ele também reafirmou que as decisões do BC sobre o caso foram técnicas e sem influência política.
Por que isso importa? A persistência de juros altos no Brasil, justificada pelo presidente do Banco Central com base em indicadores econômicos como o baixo desemprego e a economia aquecida, impacta diretamente o custo do crédito para consumidores e empresas. Isso pode frear o investimento e o consumo, influenciando o poder de compra e o ritmo de crescimento do país. A discussão sobre a atuação técnica do BC e os desdobramentos do caso Master também adicionam camadas de complexidade ao cenário econômico.