A Equatorial Energia foi escolhida como a investidora de referência na privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), marcando um avanço significativo no processo de desestatização.
A decisão veio após o consórcio Livorno Participações, liderado pela Aegea, anunciar sua retirada da disputa, deixando o caminho livre para a empresa de energia, que apresentou uma proposta robusta, com potencial de investimento de até R$ 7,9 bilhões.
A saída do Livorno Participações, que incluía a Itaúsa (ITSA4), o fundo soberano de Cingapura GIC e a Equipav, foi comunicada pela Itaúsa em fato relevante.
O consórcio justificou a decisão pela não apresentação de uma nova proposta devido a alterações promovidas pela Copasa nas condições do processo de escolha do seu investidor de referência, anunciadas no último dia 28 de maio.
Com a desistência da Aegea, a Equatorial Energia (EQTL3) emergiu como a única proponente para adquirir uma participação de 30% do capital da Copasa (CSMG3).
A empresa, que já havia feito uma nova proposta na segunda tentativa de privatização da estatal mineira, consolidou sua posição como a principal candidata para se tornar sócia estratégica da companhia de saneamento.
Detalhes da Proposta e Reação do Mercado
A proposta da Equatorial Energia para a Copasa foi de R$ 49,03 por ação, superando o preço mínimo estabelecido pelo governo de Minas Gerais, que era de R$ 47,23. Este valor inicial corresponde a aproximadamente R$ 5,6 bilhões pela fatia de 30% do capital social.
Além disso, a Equatorial manifestou o desejo de participar de uma eventual alocação adicional, equivalente a 12,6% do capital social da Copasa, o que poderia elevar o investimento total para até R$ 7,9 bilhões.
A notícia da proposta da Equatorial gerou um impacto imediato no mercado financeiro. As ações da Copasa (CSMG3) registraram uma forte valorização de 13,34%, fechando a R$ 60 na sessão de quarta-feira (3), dia da divulgação da escolha.
As ações da Equatorial (EQTL3) também fecharam em alta, embora menos expressiva, de 1,89%, a R$ 39,81.
O Cenário da Privatização em Minas Gerais
O plano do Estado de Minas Gerais de privatizar uma das maiores concessionárias de água e saneamento do Brasil avança com a escolha da Equatorial.
O acionista estratégico deverá assumir 30% das ações da empresa, com a possibilidade de ampliar essa participação em uma oferta subsequente de ações, reforçando o compromisso com a gestão e o desenvolvimento da companhia.
A Copasa, que dobrou seu valor de mercado no curso do processo de privatização, atingindo R$ 23 bilhões, representa um ativo significativo no setor de saneamento.
A Equatorial Energia, uma das maiores holdings multissetoriais do Brasil, com foco principal nos setores de energia elétrica e saneamento básico, expande sua atuação no setor de saneamento com esta aquisição estratégica, consolidando sua presença no mercado de infraestrutura.
Por que isso importa? A privatização da Copasa e a entrada da Equatorial Energia como acionista de referência marcam um passo decisivo na reestruturação do saneamento em Minas Gerais. A transação bilionária não apenas redefine o controle da companhia, mas também sinaliza potenciais investimentos e melhorias nos serviços de água e esgoto para milhões de cidadãos, além de impactar o cenário de infraestrutura e o mercado de capitais brasileiro.