Brasil

EUA propõem tarifas de 25% sobre produtos brasileiros

O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sugere taxar produtos brasileiros em até 25%, citando práticas comerciais 'irrazoáveis' e criticando o Pix.

03 DE JUNHO DE 2026 0 views 3 min de leitura
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Por Redação Novo Alvo
Fatos e Impacto 24h
Donald Trump em pronunciamento
Donald Trump em pronunciamento

O governo dos Estados Unidos, por meio do Escritório do Representante Comercial (USTR), propôs a imposição de tarifas de até 25% sobre uma vasta gama de produtos brasileiros.

A medida, que visa retaliar o que os EUA consideram práticas comerciais "irrazoáveis"por parte do Brasil, foi divulgada dias após a visita do senador Flávio Bolsonaro ao presidente Donald Trump.

Justificativas e Críticas ao Pix

Entre as principais justificativas apresentadas pelo USTR para a recomendação de tarifas estão alegados "atos onerosos"relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas consideradas injustas e preferenciais, a aplicação de leis anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e o combate ao desmatamento ilegal.

Uma das críticas mais contundentes recai sobre o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, que o órgão acusa de favorecimento injusto e discriminatório em relação a outros meios de pagamento.

A crítica ao Pix, em particular, é vista por autoridades brasileiras como um recado a outros países da América Latina que estudam a implementação de sistemas de pagamento instantâneo gratuitos, seguindo o modelo brasileiro.

O Banco Central do Brasil já possuía planos de expandir o Pix para a região.

Reações e Exceções na Lista de Tarifas

A proposta gerou apreensão no setor empresarial brasileiro, que aguarda um possível anúncio oficial do governo americano.

Fontes do setor indicam que a definição dos produtos a serem tarifados, sob a Seção 301 da Lei de Comércio americana, pode ter um viés mais político do que estritamente econômico, uma vez que os EUA mantêm superávit na balança comercial com o Brasil.

O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a proposta como "extremamente injusta"e "totalmente descabida", assegurando que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscará reverter a recomendação.

Alckmin defendeu o Pix como um patrimônio nacional, garantindo que o sistema de pagamento não fará parte de negociações com os Estados Unidos.

A lista de produtos que poderiam ser alvo das tarifas, no entanto, inclui exceções significativas.

Itens como carne bovina, café, diversas frutas e verduras, cereais, sementes, castanhas, minerais, terras raras, fertilizantes, produtos farmacêuticos, aeronaves e peças aeronáuticas, além de materiais informativos e doações, estariam fora da recomendação preliminar.

A gestão de Donald Trump, ao propor as tarifas, poupou produtos considerados relevantes para a economia norte-americana.

Diálogo e Cenário Político

Apesar da ameaça tarifária, entidades como a Amcham Brasil reconhecem avanços no diálogo entre os países e sinalizam interesse na continuidade das negociações até a decisão final, prevista para meados de julho.

A Amcham vê uma "janela concreta"para a busca de soluções que possam evitar ou revisar as medidas propostas, incentivando os governos a intensificarem esforços.

Em um contexto mais amplo, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, classificou o Brasil como uma exceção em uma América Latina cada vez mais alinhada a interesses de Washington, em audiência no Senado americano.

A declaração, que também citou Cuba, Nicarágua e Venezuela, gerou reações do presidente Lula.

O ministro da Defesa, José Múcio, criticou a classificação de organizações como o PCC e o Comando Vermelho como terroristas pelos EUA, chamando a medida de "intromissão"e reafirmando a soberania nacional brasileira. Ele também classificou as medidas americanas como "instáveis".

Por que isso importa? A proposta de novas tarifas pelos Estados Unidos ao Brasil reflete tensões comerciais e políticas subjacentes, com implicações significativas para a economia brasileira, o sistema financeiro (com a defesa do Pix) e as relações diplomáticas entre os dois países. A análise das justificativas americanas, as exceções na lista de produtos e as reações do governo brasileiro e do setor empresarial são cruciais para entender os próximos passos e o impacto dessas medidas.
Fontes:
  • Terra
  • dw.com
  • R7
  • Estadão
  • Gazeta Digital
  • IstoÉ
  • Brasil 247
  • Folha PE
  • CartaCapital
  • O Popular
  • Tribuna do Norte
  • TecMundo
  • Portal do Holanda
  • Opera Mundi
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