O 79º Festival de Cannes, encerrado neste sábado (23) na França, consagrou “Fjord” , do diretor romeno Cristian Mungiu , com a Palma de Ouro, o prêmio máximo do evento.
O filme, que aborda a polarização das sociedades contemporâneas e a intolerância religiosa, marcou a segunda vez que Mungiu levou a honraria, repetindo o feito de 2007 com “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”.
“Fjord” narra a história da família Gheorghiu, composta por um pai romeno e uma mãe norueguesa, que busca segurança e estabilidade ao se mudar para uma vila remota na Noruega.
Protagonizado por Renate Reinsve e Sebastian Stan, o drama familiar mergulha nas tensões geradas por uma educação rígida e ultrarreligiosa, que leva o casal a enfrentar duras críticas e o escrutínio de autoridades locais após hematomas serem detectados em uma das crianças.
Destaques da Premiação
A segunda premiação mais importante da noite, o Grand Prix , foi concedida a “Minotaur”, do cineasta russo Andrey Zvyagintsev. O filme de Zvyagintsev, que é exilado, oferece uma reflexão contundente sobre como a Guerra da Ucrânia impactou a vida de diversas famílias.
O Prêmio do Júri, por sua vez, ficou com “The Dreamed Adventure”, da diretora alemã Valeska Grisebach.
Nas categorias de atuação, Virginie Efira e Tao Okamoto dividiram o prêmio de Melhor Atriz por “All of a Sudden” (Soudain), enquanto Valentin Campagne e Emmanuel Macchia foram conjuntamente reconhecidos como Melhor Ator por “Coward”.
A Melhor Direção teve um empate notável entre a dupla espanhola Javier Calvo e Javier Ambrossi, por “La Bola Negra”, e o polonês Pawel Pawlikowski, por “Fatherland”.
Presença Brasileira e Reconhecimento Canino
O Brasil também teve seu momento de destaque no festival. A produção “Elefantes na Névoa” foi premiada com o Grande Prêmio do Júri na mostra Un Certain Regard.
Além disso, o filme “La Perra”, que conta com a participação do ator Selton Mello , conquistou o Palm Dog , prêmio dedicado às melhores performances caninas, na Quinzena dos Cineastas.
O brasileiro Rodrigo Teixeira também foi coprodutor de “Paper Tiger”, um dos filmes que concorreu à Palma de Ouro.
Júri e Outras Menções
O júri da 79ª edição foi presidido pelo renomado cineasta sul-coreano Park Chan-wook, que, em tom de brincadeira, comentou sobre a dificuldade de escolher o vencedor da Palma de Ouro, afirmando que “não queria dar a Palma de Ouro para ninguém, porque eu ainda não ganhei uma. Mas eu não tinha outra escolha.”
Outros prêmios incluíram a Caméra d’Or para Marie-Clémentine Dusabejambo, de Ruanda, por “Ben'Imana”, e a Palma de Ouro de Curta-Metragem para o mexicano Federico Luis.
O festival não se limitou apenas às premiações, sendo também palco para declarações marcantes. Em um dos momentos, o ator Rami Malek, ao falar sobre sua interpretação de Freddie Mercury , expressou: “Freddie Mercury vive na minha alma e espero que continue me aconselhando” .
Essas falas reforçam a importância do cinema e da arte como espaços de reflexão e inspiração.
Por que isso importa? A consagração de “Fjord” em Cannes 2026 ressalta a relevância de dramas que abordam temas sociais complexos, como polarização e intolerância, em um cenário global. A diversidade de produções premiadas, incluindo a notável presença brasileira, demonstra a vitalidade e a capacidade do cinema mundial de provocar debates e oferecer novas perspectivas sobre a condição humana.